Quinta-feira 31 de outubro/2024 – 2º dia - O roteiro previsto para o segundo dia da Expedição Sertão e Raso da Catarina despertava em todos a maior expectativa. Era a região conhecida como Baixa do Chico, um cânion seco de cerca de 12 quilômetros de extensão, e no seu entorno está a aldeia dos tribo indígena Pankararé.

Muitos os participantes da Expedição já conheciam, alguns a visitam regularmente e sabem da sua beleza excepcional. Outros ansiavam por conhece-la, pois, do Raso é a região mais divulgada e mais procurada por visitantes.

Guardo boas lembranças da primeira vez que ali estive, numa visita organizada por pela Professora Glória Lira, ainda nos anos de 1990. Glória Lira, bióloga e historiadora, é uma das fundadoras da Academia de Letras de Paulo Afonso.

Lembro bem que naquela visita fomos acompanhados na região pelo índio Alexandre, já idoso, que em um momento do passeio ensinou a todos uma receita que ficou conhecida como “Viagra do Sertão”, no tempo em que o azulzinho era anunciado com o sucesso do momento. Publiquei essa receita no meu primeiro livro chamado “Paulo Afonso – de pouso de boiadas a Redenção do Nordeste”, lançado em 1995.

Seu Alexandre arrancou um pequeno pé de catingueira rasteira, sacudiu para tirar a terra da raiz e deu a receita. “Pega a raiz da catingueira rasteira, coloca dentro de uma vasilha, uma garrafa com água e deixa passar de um dia para outro. Depois, é só ir tomando a água e o homem fica novo. Como um rapaz de 20 anos”. O pequeno grupo, todos ainda bem jovens, ouvia atentamente e um mais gaiato perguntou:

- O senhor tem tomado muito, seu Alexandre?

E o Seu Alexandre, muito sério, tirou o chapéu, elevou o braço e os olhos para o alto e disse:

- Graças a Deus, ainda não precisei, não!

Todos riram e aplaudiram o velho Pankararé.

Esse território tem sido anunciado como sendo parte do município de Paulo Afonso. Glória, por seu turno anuncia que é uma área do seu município e, existe realmente uma placa quase totalmente apagada em um trecho com a informação que é território gloriense.

Há séculos atrás, a área territorial de Glória se limitava com Jeremoabo, ao sul e englobava os atuais municípios de Paulo Afonso, Rodelas, Macururé, Chorrochó, era uma pequena parte de enorme latifúndio de Garcia D`Ávila, asseguram os historiadores.

Os expedicionários, guiados por Abdiel, entraram no cânion da Baixa do Chico e ficaram realmente encantados com a beleza do cenário, como ficam todos os que chegam diante das formações de arenito, esculpidas pelos ventos, pelas chuvas, durante milhões de anos, levando os visitantes a nomeá-los pelo que eles parecem ser. Há o Dedo de Deus, a Catedral, e a cada trecho que se anda, outras formas vão aparecendo. É mesmo de encher os olhos.

Seguindo-se a trilha, vai-se chegar ao local chamado de Trindade e ali, as formações rochosas se apresentam como enormes poços de pedra, chamados caldeirões.

Todo esse roteiro permitiu a cada um dos expedicionários ter momentos de contemplação inesquecíveis como disse Josevaldo Campos/RF em seu site Retratos e Fatos:

“A exuberância dos cânions impressionava e proporcionou a todos momentos de contemplação do quanto a geografia foi generosa. Aliás, as formações rochosas imponentes são uma característica marcante durante praticamente toda a extensão do Raso da Catarina. A exuberância dos cânions impressionava e proporcionou a todos momentos de contemplação inesquecíveis

O cenário deslumbrante dos “cânions do Chico”, inclusive, foi cenário para novelas, séries e filmes de grandes emissoras e canais de streaming. Como bem destacou o guia, os produtores “globais” afirmaram que “aqui o cenário já está pronto”.

De fato, uma das cenas fortes e marcantes da minissérie Amores Roubados, da Rede Globo é a da perseguição e morte de um dos principais personagens desta produção global, gravada dentro do cânion da Baixa do Chico, no Raso da Catarina”.